A inutilidade do debate e nossas férias.
O ex-ministro Pedro Malan disse em sua coluna de domingo no jornal O Estado de São Paulo, discutindo sobre a qualidade do debate público, o que pode ser levado diretamente para dentro da comunidade uspiana. Não pude deixar de me identificar com suas palavras:
“O enfrentamento das difíceis escolhas à frente seria mais efetivo se pudéssemos perder menos tempo, talento e energia com falsos dilemas, dicotomias simplórias, diálogos de surdos, pregrações dirigidas aos já convertidos e rotulagens destituídas de sentido, exceto para militantes sempre ansiosos por simplórias palavras de ordem. O Brasil merece algo melhor em termos de qualidade de debate público.” E também a USP.
Enquanto isso, as nossas férias…
Uma salva de palmas aos grevistas, por deixarem milhares de alunos (inclusive eu) sem suas férias. Por que ao contrário do que muito se diz, a greve não é uma espécie de férias, é um tempo em que aqueles que discordam e não aderem a ela vivem cheios de incertezas com relação às aulas, prazo de entregas de trabalho, etc. O que torna impossível qualquer tipo de descanso por parte do aluno, que é obrigado a viver durante este período em constante estado de prontidão.
E o que dizer então daqueles que programaram durante o semestre todo uma viagem com os familiares? E os que agora foram impedidos de retornarem às suas cidades natais? E mesmo os professores (os que não tiveram nada a ver com a grande palhaçada que aconteceu, que fique bem claro) que tinham congressos marcados para este mês de julho e que serão impedidos de participar por conta do calendário de reposição de aulas que serão obrigados a seguir.
Aos que participaram da greve, o que se resta a fazer é lamentar, e ver o quanto ainda pessoas super capazes ainda se deixam levar por discursos vazios e antiquados como os daquela velha esquerda moribunda.